Não, isto não é a brincar... É bom que nos comecemos a preocupar com o miserável estado desta cidade, ou isso, ou deixa-la cair ainda mais no vazio. Zero é mau, abaixo de zero é estupidamente incrível. Faz agora 2 meses que emergiu na Marinha Grande um pequeno projecto que se chama “Ovírus”. Este projecto foi exclusivamente criado para combater parte do fracasso cultural vigente nesta cidade, ou seja foi criado um espaço onde coisas acontecem. As limitações deste projecto eram visíveis, em termos monetários bastantes, em experiência a gerir também, mas com o tempo a coisa encaminhava, assim como outros determinados factores que não permitiram que existisse uma forte coesão inicial. O grande factor positivo, e alias essencial, era ou é a enorme vontade por parte dos participantes na realização do mesmo, foi por isso que decidimos solicitar algum apoio autárquico, o mínimo que viesse iria ser bastante bom. O projecto era bom e na minha ingénua juvenilidade pensei que teríamos grande hipótese de ser bem sucedidos, até porque ficava bem ao município apresentar um projecto cultural deste género para contrapor a franca decadência cultural existente. Nada disso aconteceu, os apoios foram ZERO. Mas não foi por isso que a coisa não aconteceu, Março e Abril foram bons exemplos daquilo que poderia vir a ser o “Ovírus” no futuro, e aquilo que poderia representar para a nossa cidade, aqui não me refiro apenas aos mais jovens, as programações não estavam destinadas somente à classe etária mais nova. Mesmo sendo os apoios autárquicos ZERO, nada invalidou que o nosso vereador da Cultura e do Desporto, o Dr. João Paulo Pedrosa, proferisse o nome do “Ovírus” num recente discurso público aquando a realização do encontro de jovens feito em Casal Galego, aqueles que o ouviram, ficaram com a errada ideia de que existia alguma ligação entre a Câmara Municipal e o “Ovírus”... Sim errada, o “Ovírus” é autónomo e nunca recebeu qualquer apoio por parte da nossa autarquia para que esta se tenha sentido no direito de o usar como forma de propaganda política, ou será que não haveria mais nada para dizer aos jovens da nossa cidade? O mesmo Dr. João Paulo Pedrosa, (que eu não conheço, tirando das inúmeras fotos que vão saindo nos jornais locais) que semanas antes tinha feito esta exposição pública, foi o mesmo que dias atrás nos fez chegar, por intermédio de alguém em comum a ambas as partes, o aviso de que existem ilegalidades no espaço, visto que a legislação existente não corresponde ao que ali se tem passado, (aqui assumo a minha cota parte de responsabilidade, provocada pelas tais limitações). Disse também que teríamos que tratar de legalizar o espaço ou simplesmente teríamos que fechar a porta, é estranho alguém que, à umas semanas atrás nos tenha usado como exemplo para os jovens, agora tenha esta reacção. Pena tenho que desperdicem quem tem vontade de ajudar no crescimento cultural da cidade, isso é pessimamente mau, digo mais, é uma falta de respeito para com os todos os Marinhenses e é também faltar às obrigações, ou nós não temos direito à cultura? Agora temo que acabe assim este projecto, um projecto que poderia ser bastante interessante para a cidade e que não foi aproveitado por quem o deveria fazer em prol da cultura na região. Já disse... “Uma cidade que nada tem e que quer continuar a nada ter”, é ridículo. Para quê tentar viver numa cidade completamente asfixiada pelo passado (Industrial) e sem mente aberta para o futuro, e para novas coisas? Para quê viver numa cidade que não oferece alternativas nem descanso a quem se cansa na Industria? Será que não passa disto? Era bom que se pensasse nestas coisas, que se falasse e que se actuasse em prol delas. Parecemos estar muito quietos, inactivos, parece tudo estar bem, eu não estou, não quero viver numa cidade assim... Morta!